terça-feira, novembro 14, 2006

O Grande Irmão Vigia


Carlos Aquino

Imagine uma grande corporação com o poder de acumular toda a informação disponível sobre um indivíduo. Esta organização armazena em gigantescos bancos de dados toda a correspondência eletrônica enviada e recebida por este indivíduo e rastreia automaticamente o conteúdo das mensagens em busca de palavras-chave. Esta mesma empresa tem acesso aos seus hábitos de navegação na Internet, através do registro de todos os termos procurados no mais usado mecanismo de busca do mundo. Os hábitos sociais deste indivíduo também são conhecidos através do controle total de um espaço virtual onde este indivíduo troca informações (inclusive pessoais) com outros indivíduos. Esta grande corporação é capaz de indexar o conteúdo do computador privado deste indivíduo em tempo real. Todo este controle foi autorizado pelo próprio indivíduo. Se você utiliza Gmail, Google Toolbar, Orkut e Google Desktop Search, lamento informar que este indivíduo é você. Paranóia? Teoria da Conspiração? O site Google Watch apresenta alguns fatos interessantes sobre as práticas desta grande corporação:
  • O cookie eterno do Google: Na primeira vez que você visita uma página que pertença ao Google, um cookie é instalado em sua máquina com um número identificador que irá te acompanhar (e identificar) em todas as suas atividades dentro do universo Google. Este arquivo é válido até 2038, a menos que você o apague.
  • O Google grava tudo que pode: Para todas as buscas, são registrados o número identificador do cookie, o endereço IP de onde a busca foi executada, a data e a hora, os termos pesquisados e a configuração do navegador.
  • Todos os dados são guardados indefinidamente: Não há nenhuma política de apagamento de dados. Sabe-se que é possível acessar com facilidade toda a informação disponível sobre um determinado usuário.
  • Ninguém sabe para que o Google armazena todos estes dados: Questionamentos sobre a política de uso desta informação são ignorados. Em novembro de 2002, o jornal New York Times indagou a um dos fundadores do Google o que a empresa faria se fosse indiciada a liberar estes dados. O New York Times não teve nenhuma resposta.
Estaria crescendo a sede do Google por informação? Direto do IDG, sobre a nova versão do Google Desktop Search:
A Eletronic Frontier Foundation, organização sem fins lucrativos que defendo a liberdade na era digital, alerta: o novo recurso anunciado incorporado à ferramenta Google Desktop representa alto risco à privacidade do usuário.

A critica da organização se concentra no recurso que permite fazer buscas entre diversos computadores.

Se o usuário opta por utilizar a função, seus arquivos são copiados para os servidores do Google temporariamente. Assim, o usuário pode procurar um documento armazenado no PC da sua casa a partir da computador do escritório.

O problema, alerta a EFE, é que os documentos pessoais do usuário ficam vulneráveis, por exemplo, a intervenções governamentais e até possíveis processos.
Parece ser inevitável que a cada dia nós cedamos um pouco mais de nossas privacidades. A prática de armazenamento de informações privadas parece ser a norma entre os mecanismos de busca. A dúvida que permanece é até que ponto nós iremos compartilhar nossos dados e como iremos monitorar o seu uso.


em [Only4Gurus Brasil]